Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 (PS4) – Review

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Fazia um bom tempo que não pegava um jogo para analisar e me divertia tanto. E acho que essa palavra resume muito bem o sentimento de jogar Tony Hawk’s Pro Skater 1+2: diversão.
Óbvio que o game é aquele delicioso bolo recheado de nostalgia. É inevitável para quem jogou ambos os jogos na época do Playstation original, não reviver algumas memórias boas, seja com os amigos de longa data, seja apenas sozinho, praticando diversas manobras e combos.

Mas o que mais me chamou a atenção aqui foi em como a Activision conseguiu resgatar esse sentimento após títulos bem ruins dentro da franquia. Há anos, as pessoas clamavam por um bom jogo que resgatasse essa essência que fez de Tony Howk’s Pro Skater uma franquia amada não apenas por admiradores do esporte, mas por jogadores que queriam apenas se divertir andando de skate sem nunca terem subido em um.

Como o próprio nome do jogo entrega, Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 une os dois primeiros jogos da franquia neste pacote. Ambos possuem uma lista de objetivos que devem ser cumpridos para que o jogador possa progredir ganhar dinheiro e destravar novos itens cosméticos, como novas artes para o shape do seu skate, novos skatistas e muito mais.
Alguns objetivos consistem em fazer uma determinada manobra em um ponto específico da fase,  juntar letras espalhadas pelo cenário que formem a palavra S-K-A-T-E, coletar fitas cassete (… porque sim!) colocadas estrategicamente em pontos de difícil acesso que demandarão da sua habilidade aérea, além de cumprir desafios de pontuação. Obviamente, esses objetivos não serão cumpridos todos de uma vez só – isso talvez não se aplique aos veteranos – fazendo com que você repita a fase algumas vezes. Apesar desse fator replay constante, em nenhum momento me senti cansado ou enjoado de jogar a mesma fase pela quinta ou sexta vez. Pelo contrário: quando mais você joga, mais você aprende onde poderá fazer combos que lhe renderão mais pontos, além de dominar o cenário.

Apesar do visual repaginado, com belíssimos gráficos proporcionados pela atual tecnologia, tudo o que fazia o game original divertido de se jogar e aprender com ele está aqui. As pistas clássicas como a primeira fase no armazém abandonado e a fase do colégio, são alguns dos exemplos de como foram fielmente mantidas originais, apenas recebendo o devido tratamento para torná-las mais próximo do que a nossa imaginação – e a tecnologia da época – eram capazes de projetar. O game ainda investe em um visual “cartunesco realista”, em que os gráficos apresentados estão belíssimos, mas os modelos dos personagens permanecem com aquele aspecto caricato, mas sem parecer estranho.

Os controles e a física são bem dinâmicos e de resposta imediata. Algumas adições foram feitas, como a possibilidade do jogador, ao se encontrar com uma parede, pressionar o botão de salto mais uma vez e faz outra manobra chamada wall plant, que consiste em um quique na parede e retornar a manobra – isso ajuda demais quando você está deslizando o shape do skate em algum lugar e possui paredes de ambos os lados, pois o seu multiplicador de pontos aumentará drasticamente -, além dos chamados reverts – que pode ser apenas uma troca de posição do personagem, como também uma manobra que termine nessa troca.

O game conta com um tutorial bastante completo para os novos jogadores, completamente localizado e dublado em português, que ensina tanto movimentos básicos como manter-se na pista, deslizar sobre um corrimão ou fazer manobras básicas, como o Ollie ou se equilibrar em uma beirada do half-pipe, como também manobras mais complexas, como ‘o cristo’, saltar e dar uma mortal, entre outras. Tudo flui muito bem e uma vez que você domina esse sistema, conseguirá fazer combos que lhe renderão muitos pontos.
Vale destacar aqui que a curva de aprendizagem em THPS 1+2 é muito agradável, pois o game te apresenta essa opção de aprender gradualmente através do tutorial. Mas, caso você ignore isso e queira partir direto para a ação, as fases vão se tornando mais extensas com o tempo, ampliando sua visão criativa do que fazer e como fazer com todos aqueles elementos no cenário. É realmente muito divertido aprender não apenas a se locomover pelo cenário, mas usá-lo ao seu favor para criar novos combos de manobras.

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Concluir os mapas em Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 não é uma tarefa demorada ou complexa – mesmo se você for um jogador novato – mas a duração do jogo se estende pelo número de desafios opcionais, como executar manobras e desafios específicos com cada skatista, e também por alguns objetivos cumpridos apenas no modo Criar-Sua-Pista.

Não que esse modo de criação seja uma grande novidade, afinal ela já era uma parte integrante dos jogos de Playstation originais, mas com um visual muito mais agradável e controles e opções mais intuitivas, além de uma vasta opção de obstáculos que podem ser incluídos no circuito, o modo se tornou bem mais atrativo em ambos os títulos. E claro, suas pistas poderão ser compartilhadas e baixadas por outros jogadores.
Um ponto que vale ressaltar é que os desenvolvedores da Vicarious Visions também utilizaram o construtor de pistas e as disponibilizaram para os jogadores.

A trilha sonora continua com aquela pegada do início dos anos 2000, recheado de bandas como Papa Roach, Bad Religion, Dead Kennedys e agora, com um presente especial para os fãs brasileiros, que poderão fazer altas manobras ao som de Charlie Brown Jr., talvez a banda nacional que mais tenha contribuído para que a cultura do skate se popularizasse no país.

Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 é um convite ao passado. Ele é divertido e desafiador na medida certa e que  fará com que você que jogou os jogos originais, reviva bons momentos sob uma prancha com rodinhas. É um retorno triunfal da franquia para quem procura uma boa dose de diversão com uma pitadinha de nostalgia. Nunca andar de skate ao som de “Superman” foi tão prazeroso e divertido. Aliás, eu já falei que esse game é muito divertido? Acho que sim…

Esta cópia de Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 foi gentilmente fornecida pela Activision para a confecção desta análise.