Criador de Hong Kong 97 – o PIOR jogo o Super Nintendo – fala pela primeira vez 23 anos após seu lançamento

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Você já ouviu falar de Hong Kong 97? Certamente, você já se deparou com esse título em alguma lista dos PIORES jogos já lançados para os Super Nintendo.
O jogo foi lançado em 1995, e foi criado por Yoshihisa Kurosawa.

Nele, vivemos em um universo alternativo onde o então governador britânico de Hong Kong, Chris Patten, pede ao agente secreto Chin (que por alguma razão possui a mesma fisionomia de Jackie Chan e tem um grau de parentesco com Bruce Lee), para que mate as pessoas do continente chinês, que no game são chamados de “fuckin ugly reds” (ou “malditos comunistas feios”), que estavam imigrando para Hong Kong, aumentando a taxa de criminalidade do local.

Resumidamente, o game é uma bizarrice sem precedentes. E desde que foi lançado, seu criador nunca havia se pronunciado sobre essa pérola dos 16-bits.

Então, o jornal local de Hong Kong, chamado “South China Morning Post“, conseguiu contato com Kurosawa, que topou falar sobre o seu jogo, mais de 20 anos depois de seu lançamento.
Segundo Kurosawa, o fato do jogo ser ruim é proposital, já que seu objetivo era fazer o pior jogo possível (tarefa essa que parece ter sido concluída com primor).
Quando ele era jovem, sonhava em trabalhar na indústria de jogos, mas revelou que não gostava das políticas internas das grandes empresas do ramo, como Sega e Nintendo. Já a produção independente na época, além de muito cara, era impossível, devido as regras rígidas de royalties.

Então, durante uma viagem a Hong Kong, Kurosawa procurou por dispositivos de bootlegs em disquete (que fossem compatíveis com o Super Nintendo) e decidiu criar sua própria obra, que “fosse barato, vulgar e que zombasse da indústria como um todo”.

Segundo ele, “Eu tinha um interesse no que se desdobraria em 1997 e havia uma sensação de antecipação, mas também ansiedade. A China ainda parecia um mundo de selvagens. Pensei: o que aconteceria se os dois se misturassem?“.

Kurosawa não possuia conhecimento em programação quando decidiu criar Hong Kong 97, então, ele pediu ao seu amigo, que era empregado da Enix (atual Square Enix) para lhe ajudar nessa tarefa – com apenas dois dias, eles já tinham o produto final. As imagens de Deng Xiaoping e Jackie Chan foram retiradas de um cartaz de um filme, enquanto que a faixa de audio que toca em looping no jogo, foi removida de um laserdisc da Shangai Street.

“Eu dei todo o material ao meu amigo e expliquei o fluxo do jogo. Tivemos algumas bebidas enquanto programávamos, e no dia seguinte, Hong Kong 97 estava mais ou menos terminado. O jogo foi lançado assim porque era o pouco tempo tínhamos [para desenvolver]. O que você vê representa um décimo do que eu pretendia fazer”.

Kurosawa com sua “obra-prima”. – Divulgação

Por ironia do destino – e alguns grandes canais do Youtube focados em jogos ruins – Hong Kong 97 estava atraindo a atenção – seja por seu material bizarro, seja por ser estranhamente engraçado.
Até hoje, Kurosawa recebe várias mensagens de fãs querendo saber mais sobre a história do jogo, e mostrando suas teorias sobre o enredo.

Mais de uma década depois, descobri que Hong Kong 97 estava atraindo a atenção – da pior maneira“, diz ele. “Eu achei que era apenas uma moda passageira, mas o interesse parece estar crescendo a cada ano“.

Todos os dias eu recebo perguntas no Facebook de todo o mundo, de pessoas que nunca ouvi falar, perguntando como ‘De quem é o cadáver no final do jogo’. As pessoas também começaram a inventar seus próprios novos mistérios em torno do jogo. Toda a configuração e o contexto foram apenas coisas que eu inventava enquanto eu viajava. As perguntas são infinitas, então eu simplesmente ignoro todas elas“, disse Kurosawa.

Kurosawa revelou que gostaria que as pessoas apenas esquecessem que seu jogo existe.

O objetivo era simplesmente criar um jogo vulgar e pensei que seria mais divertido se a jogabilidade fosse um fiasco, mas, honestamente, eu simplesmente queria que as pessoas se esquecessem do jogo de uma vez por todas”.

Fonte: Gamehall