Análise: “Sombras da Noite”

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Existe uma pequena gama de atores que nasce para dar vida a mil faces. Tivemos aqui no Brasil, nosso ilustríssimo e já finado Chico Anysio, que nos bombardeou com diversas faces e trejeitos.
No mundo Hollywoodiano, se pudesse apontar uma pessoa com essa mesma característica, seria Johnny Depp.
Em seus diversos filmes, Depp consegue transpassar características únicas.

Seu último longa metragem, “Sombras da Noite”, nos apresentou mais uma de suas faces: Barnabas Collins. Mas, será que realmente o filme dirigido por Tim Burton, vale uma ida ao cinema?

A história gira em torno de Barnabas Collins (Johnny Depp). Seus pais, Joshua (Ivan Kaye) e Naomi Collins (Susanna Cappellaro) deixam a cidade de Liverpool com seu pequeno filho Barnabas para escapar de uma antiga maldição de família, rumo aos Estados Unidos. Vinte anos depois, Barnabas se torna o homem mais importante de Collinsport e seduz a bela Angelique Bouchard (Eva Green). Mas o que ele não imaginava é que a bela moça era uma bruxa. Ela então o transforma em um vampiro e o aprisiona em um caixão por duzentos anos.
Quando Barnabas desperta de seu torturador sono, ele descobre que sua bela mansão jaz em ruínas e tem apenas poucos familiares vivendo por ali, mantendo segredos um do outro.
Barnabas então descobre um novo mundo e um novo amor, quando conhece a jovem tutora Victoria Winters.

Apesar da sinopse, o filme demonstra o que todos temiam com relação à Tim Burton: Um desgaste de criatividade. Não que o filme seja ruim, mas a falta de um enredo mais envolvente se faz notável.  A característica principal do filme é a característica principal de Burton: Falta de luz e olheiras.  E honestamente, sempre gostei dos filmes de Burton.  Esse lado gótico do cinema sempre me cativou.

A aposta de Tim Burton nesse filme foi inegavelmente fraca, pois a história não tem um desenvolvimento. É como assistir “Avenida Brasil” e ver os mesmos cenários, sem um desenrolar ou até mesmo ver carisma nos personagens.

O próprio Depp em seu papel não demonstra um carisma como em outros trabalhos, apesar de sua atuação ainda salvar boa parte do filme. As cenas que seriam mais para o lado de comédia acabam ficando vazias e sem qualquer graça, com leves exceções.

Talvez a cena mais interessante do filme, seja após um breve diálogo de negócios entre Barnabas e Angelique. Ela, na tentativa de reaver seu amor não correspondido, abre a blusa e lhe mostra os fartos seios. Barnabas então solta a frase que – em duzentos anos, “eles” não haviam envelhecido nem um pouco-, e uma estranha cena de “amor” se desenvolve ali. Com direito a subidas (leia voar) na parede, enquanto o cenário é totalmente destruído.

Não posso esquecer-me de citar que a presença mais ilustre no filme é a do cantor Alice Cooper, com direito a show e performance no filme. Isso também contou alguns pontos positivos. Poucos, mas contaram.

E então, temos o final! Oba! Uma grande reviravolta na história… NÃÃÃÃÃO! Apenas mais do mesmo, com apenas algumas descobertas. Mas nada que você fique hiper mega surpreso. Em suma: “Sombras da Noite” é o longa mais “passa-batido” da carreira de Johnny Depp e seu quase irmão, Tim Burton.