uve um tempo, ali entre meados dos anos 1990 e dos anos 2000, que todo mundo queria ter seu próprio mascote. Porém, foram poucos aqueles que atingiram patamares altos como o que Megaman, Sonic, Mario e… Crash Bandicoot (bleargh!) alcançaram.
Quem aí se lembra de Aero the Acrobat? Ou então de Gex, que até recebeu versões remasterizadas de seus jogos para as atuais plataformas. Mas houve aquele que ousou tentar tocar o sol: Bubsy.
Você se lembra dele, caro leitor? Eu creio que não. Bubsy é aquele tipo de personagem que lembra muito aquele meme do cara no canto da festa com seu copo na mão, enquanto todos os outros caras dançam com suas parceiras enquanto ele remói seus pensamentos em “mal sabem eles que eu sou um grande mascote”.
Bom, parece que 2026 reservou muitas surpresas. Dentre elas, de que Bubsy ganhou um QUARTO jogo da série principal – e SÉTIMO de toda a franquia. Será que finalmente o lince-vermelho terá sua redenção com UMA UNIDADE DE JOGO BOM? É o que quero destrinchar nessa análise.
Novo jogo. Problemas antigos
Não que você talvez se importe com a história de Bubsy, mas acho que como redator desta análise, eu tenho que contar para você: sim, esse jogo possui uma. Tudo começa com nosso “querido” felino tentando se reinventar, até que os Woolies, uma raça viciada em tecidos de lã (??) sequestram todas as ovelhas do planeta e as transformam em criaturas do mal com a sua tecnologia alienígena.
Nesse processo de dar poder aos oprimidos, as ovelhas conseguem se emancipar e tomam o poder, se autoproclamando os BaaBots, criaturas meio ovelhas-meio aliens. Com tamanho poder nas mãos, elas retornam e tomam o Velo de Ouro das mãos de Bubsy, que parte em busca de salvar as ovelhas e recuperar seu item roubado.
O jogo funciona de uma maneira bastante tradicional de um plataforma: podemos andar, correr, dar um avanço, agarrar em superfícies e impulsionar Bubsy para que ele alcance plataformas mais longe e altas.
As fases são divididas por mundos: ao todo, há três mundos diferentes – cada um com um tipo de temática – se é que podemos chamar assim – que criam a ambientação. Porém, não é nada muito impressionante ou que salte aos olhos. Cada um dos mundos possui 5 fases, sendo a última a que encerra o ciclo com uma batalha contra um chefe.
Eu gostaria de poder dizer que eu me diverti tanto com as fases como nos chefes. Mas não posso ser desonesto com você que está lendo esse material: Bubsy 4D é um jogo de “okay” para “podia ser mais bem polido”. O grande inimigo desse game é a sua física completamente desbalanceada e quebrada, além de uma câmera que mesmo podendo ser manipulada de forma livre, quando se posiciona, acaba sempre se colocando nos ângulos mais improváveis.
Um outro ponto extremamente negativo sobre esse game é que ele não possui uma curva de dificuldade e de aprendizagem. Bubsy 4D é aquele jogo que já começa te colocando em um nível de “essa pessoa já jogou um milhão de jogos de plataforma. Ele vai saber o que fazer”.
Porém, o level design muitas vezes falha em te conduzir para o final das fases, e fora que dado o maior problema ser a péssima física, muitos saltos em plataformas se tornam frustrantes, pois ora você salta para além da plataforma, e precisa reposicionar o personagem no ar, ora você se perde completamente somado a uma câmera que parece não acompanhar o que está acontecendo em tela.
As batalhas contra os chefes são bem simples, mas que – de novo – se tornam mais desafiadoras por você ter que lutar contra o chefe, e contra os péssimos controles do personagem.
Tudo aqui parece que foi feito, mas pouco testado. É até uma ofensa existir um jogo de plataforma depois de tantos anos de aprendizado, seja visualmente ou mecanicamente. Bubsy 4D parece fazer um checklist em tudo aquilo que NÃO DEVE SER FEITO. O que não foge à regra dos seus jogos anteriores.
A versão de Nintendo Switch
Quando este jogo me foi ofertado, eu resolvi esperar para fazer uma análise sobre a sua versão do Nintendo Switch. Infelizmente, eu não sou proprietário de um Nintendo Switch 2, mas testando a versão de Switch é possível ver que a equipe teve que fazer alguns malabarismos visuais para que esse jogo fosse possível.
Há diversos trechos em que superfícies que deveriam ter uma transparência são preenchidos por alguma coisa que parece um pontilhado, o que na meu mais puro e leigo conhecimento, é o que deu para adaptar e manter aquela superfície translúcida.
O jogo em si não é feio. Ele tenta replicar algumas coisas de uma espécie de cell shading que até dão um toque meio “animação da Nickelodeon” para o jogo. Mas tudo é tão genérico que mesmo depois de 30 anos desde Bubsy 3D, parece que quem trabalha nessa franquia é imune ao aprendizado.
Por sorte – ou “falta de azar” – o jogo roda bem mesmo nessa versão mais talhada do Switch. E ele também é uma aventura curta. Se você não empacar muito em certos trechos – sobretudo nas fases finais – é possível concluir Bubsy 4D em aproximadamente de 3 a 4 horas. Claro que há também alguns segredos nas fases que vão te possibilitar desbloquear skins novas para o personagem, além de novas habilidades.
Mas sinceramente? Se o jogo ainda tivesse algum tipo de incentivo ou algo do tipo, e não houvesse essa somatória de problemas técnicos de jogabilidade e mecânicas, até se justificaria correr atrás desses extras. E nada disso será necessário para facilitar sua jogatina.
Chegar em 2026 com sete vidas é pouco
Uma coisa eu preciso afirmar: apesar de um péssimo jogo, Bubsy 4D ainda se sobressai como sendo uma evolução da franquia. No entanto, é triste pensar que mesmo depois de tantos anos, com tantos títulos anteriores que ou foram recebidos de forma morna, ou achincalhados pela crítica e pelo público, Bubsy tenha aprendido tão pouco com outros jogos que ainda conseguiram se reinventar.
Eu não gosto de Crash Bandicoot de modo geral. Porém, é inegável que Crash Bandicoot 4, ainda mantém as suas origens e encontra espaço para inovar com novas mecânicas, além de criar algumas qualidades de vida. Por mais que não seja o tipo de jogo de plataforma que eu gosto, eu preciso reconhecer esse mérito.
Mas Bubsy… Ele acabou sendo ele mesmo. E no caso dele é preciso mais. Por mais que ele seja carismático, tenha até bons momentos de humor, só isso não é suficiente para salvar esse personagem. Ele precisaria de alguém que visse os seus problemas e pensasse “o que podemos fazer aqui para tornar esse jogo bom”.
Outra crítica válida é que é triste pensar que ele chega oficialmente se uma opção em português do Brasil. Afinal o jogo é cheio de momentos de interação entre Bubsy e seus amigos, com muito sarcasmo e tiração de sarro de si. Uma localização bem feita, com uma equipe que pegaria bem esse espírito zoeiro já ajudaria a dar um toque na parte narrativa desse jogo.
… E o saldo é?!
Bubsy 4D é aquele tipo de jogo que poderia ser. Ele poderia ser bom. Poderia ser divertido. Ou ser uma experiência diferente daquilo que os outros jogos foram. Poderia ser um ponto de virada na história desse personagem.
Mas ele é um jogo que vai de um “okay” para ruim; não é tão divertido assim; é uma experiência bem parecida com aquelas que tivemos no passado com o personagem e que não contribui em nada para a história do personagem.
Enfim, Bubsy 4D é Bubsy. E infelizmente ele é só isso mesmo. Poderia ser mais, mas escolheu ser ele mesmo.
Esta cópia de Bubsy 4D foi gentilmente recebida pela equipe de Relações Públicas da Atari para a produção desta análise.





