Análise – Sonic Origins (Playstation 5)

Imagem: SEGA / Divulgação

Eu lembro muito bem do meu primeiro videogame. Era um Master System 3 com Alex Kidd na memória. Por muitas e muitas tardes, eu lembro de dividir o meu tempo com o menino Alex em seu Miraculoso Mundo de aventuras, mesmo não tendo habilidades suficientes de ir até o fim do jogo. Lembrar do nosso primeiro jogo é uma tarefa que acredito que muitos jogadores guardam na memória com carinho e afeto. Mas e o segundo jogo? Você se lembra qual foi? Bom, eu sim.

Eu lembro que perto da minha casa tinha uma locadora de esquina, próximo da avenida principal. Lá, me perdi entre prateleiras de filmes, e me perguntava o que tinha atrás daquela curtininha lá no fundo da locadora. Mas isso não vem ao caso agora. O que importa é que lembro de ter visto uma capa quadriculada com um personagem azul que calçava tênis vermelho e branco, em frente a uma bela paisagem. Estava escrito “Sonic the Hedgehog” – palavra que só aprendi a pronúncia depois de anos.

É claro que a experiência desse Sonic de Master System para a sua versão “oficial” de Mega Drive é diferente. Jogar Sonic Origins me ajudou a resgatar essa memória e também me levar para experiências que eu só tive em emuladores, com os jogos do ouriço azul.

Sonic Origins é uma coletânea de 4 games do personagem, que como o próprio nome diz, tenta resgatar as origens de Sonic para as novas gerações. Aqui, temos os três games originais e Sonic CD, lançado originalmente em 1993 para o SEGA CD – aquele add-on do Mega Drive que permitia rodar jogos em disco através do console.

Para começar eu quero ressaltar duas coisas:

1 – O meu apego com Sonic é muito superficial e pouco apelativo. Cresci jogando Super Nintendo e meu contato e histórico com o Mega Drive se baseiam muito em experiências emuladas. Então, não me julgue se eu criticar de forma mais contundente os jogos, mesmo tentando transpor para a época de seu lançamento e suas limitações técnicas.

2 – Tudo o que será lido daqui em diante será uma opinião MINHA, sob a MINHA ótica e através da MINHA experiência.

Mas afinal de contas, o que é Sonic Origins?

Além de ser uma coletânea contendo 4 jogos de Sonic, eu diria que pacote é um tipo de preservação histórica do que é videogames. Não vou entrar em detalhes, por que não me acho competente o suficiente para narrar esses fatos – e também por que isso tomaria muito tempo de você, leitor/a/e -, mas Sonic tem um papel importante na história dos videogames, sendo um dos protagonistas da famosa “Guerra dos Consoles” dos anos 90.

Quando eu falo em preservação, penso que a SEGA dispõe uma parte dos seus esforços em manter seus títulos clássicos e de sucesso sempre presentes, independente da plataforma que seja. Tivemos isso na geração do PS3 / Xbox 360 com o SEGA GENESIS Collection, e agora, Sonic Origins marca presença na nova geração, sendo uma alternativa para novos jogadores que querem conhecer um pedaço da história dos videogames, e por que não, para os nostálgicos que querem revisitar os campos verdejantes de Green Hill em alta velocidade.

Sonic precisa usar sua velocidade para vencer os obstáculos – Imagem: Divulgação / SEGA

Novidades e Cosméticos

A primeira coisa que salta aos olhos é um certo capricho da SEGA em trazer aberturas animadas de Sonic e sua turma para o game. Animações essas que você vai implorar para que virem um desenho animado logo, pois trazem o visual clássico dos personagens, mais arredondado e cartunesco – sem pernas compridas ou desproporcionais.

Após isso, vamos para a tela de seleção dos jogos. Um menu bem amigável, bonito e agradável. Nele, podemos escolher quais dos quatro jogos queremos dar início. Uma novidade que achei bem interessante é a possibilidade de escolhermos entre o modo Aniversário – já que o game foi lançado em 28 de junho, aniversário do lançamento de Sonic – e o modo Clássico. A grande diferença aqui é que no modo Aniversário, temos a possibilidade de selecionar qual dos personagens seguirá a aventura. Podemos escolher entre Sonic, Tails e até Knucles!

Além disso, é possível dividir o controle com seu amigo, e seguir a aventura acompanhado de outro personagem. Uma adição interessante e que dá outra dinâmica aos jogos.

Mas se você busca uma experiência original, o modo clássico está ai para atender a demanda dos jogadores de longa data, emulando de forma bastante competente a experiência do jogo original.

O game conta com alguns modos de jogo, como o Aniversário e Clássico – Imagem: Divulgação / SEGA

Além disso, o jogo também conta com um museu digital, que adiciona artes originais, capas de jogos (tanto da versão americana como da japonesa), além de sketchs e as animações utilizadas na edição, conforme você progride nas suas aventuras. Mas nada que fuja muito do fator cosmético / colletaton.

O game também traz um modo especial, contando a história de forma cronológica, caso você queira uma nova experiência com os quatro jogos e, de fato, cair de cabeça na lore de Sonic.

Gameplay e outras questões técnicas…

Eu conheço duas maneira de jogar Sonic. E uma não anula a outra, que fique claro isso. Você pode simplesmente sair correndo, como se não houvesse amanhã, apenas com o intuito de passar as fases e terminá-las no menor tempo possível, ou coletar itens e anéis, pegar o acesso para as fases bônus e coletar as Esmeraldas escondidas, para ter o final bom do jogo.

Confesso que, durante a minha experiência com os jogos, eu pensei em seguir a segunda opção, ser mais comedido e cumprir tarefas extras no jogo, que não fosse apenas passar de fase. Após um certo tempo, e algumas frustrações com o level design de algumas fases, eu simplesmente só pensava “EU QUERO SAIR DAQUI!”. Eu não sei que tipo de cera a SEGA usa nos sapatos dos seus mascotes, mas todos eles parecem sofrer muito de “sabão na sola”.

Game possui diversas opções separadas em mapas – Imagem: Divulgação / SEGA

Muitas das minhas mortes e travadas na progressão das fases, não foram pelo level design ser confuso ou trechos ficarem mesclados com o cenário de fundo, confundindo a nossa visão. Mas por que o personagem simplesmente dava aquela deslizada, me levando para um abismo ou não parando a ação no momento certo.

É claro que um personagem que anda a 300km/h não iria parar de uma vez. Mas ei! Isso não é física! É videogame!

Os controles respondem bem aos comandos e são confortáveis de jogar, mas não trazem nenhuma novidade, como um sistema de save state com o pressionar de algum botão, para situações de emergências. As únicas situações em que o jogo cria um arquivo de save é caso você falhe em alguma área de bônus e poderá repeti-la, não comprometendo seu progresso e ajudando na coleta das Esmeraldas do Caos.

O jogo também possui duas opções de gráficos, que simulam os pixels tradicionais, ou se você preferir, também conta com um visual mais suave, emulando um visual de televisão de tubo, deixando o jogo mais “arredondado”. Quanto a emulação dos jogos, é bem consistente e durante a minha experiência, não tive qualquer problema de queda de quadros ou bugs / glitches durante as partidas.

O grande problema de Sonic Origins não está no jogo

Apesar de ter tido alguns trechos de frustração – muito pela minha falta de tato com jogos da franquia Sonic -, vejo que o grande problema do jogo não está nele, em si, mas fora. Enquanto escrevia esta análise, o game é vendido na Playstation Store, Nintendo eShop do Switch e Steam por R$214,95, e na loja da Xbox, por R$226, um valor completamente inapropriado para um game desse porte.

É possível jogar todos os jogos com os três personagens principais – Imagem: Divulgação / SEGA

Tudo bem que é um pacote com 4 jogos e alguns adicionais que fazem a alegria dos caçadores de conquistas e troféus, mas para 4 games emulados, é um valor questionável. Ainda mais na atual situação econômica em que várias pessoas se encontram. Por mais que a pessoa seja fã de Sonic e de seu universo, me questiono se Sonic Origins seria a primeira opção de compra dela como um novo título a ser jogado, visto que Sonic Frontiers, novo game do ouriço, já desperta os olhares dos fãs.

Concluindo…

Sonic Origins é um convite ao passado. É um passaporte para revisitar velhos amigos, quando guerra de consoles e Blast Processing era um argumento válido e ficava apenas no campo da zoeira sadia. Esse é aquele tipo de título que, como narrei no início, pode te transportar para um outro momento no tempo, em que ficar olhando capas de cartuchos nas prateleira de uma locadora de bairro fazia parte da experiência de descobrir um novo mundo cheio de aventuras.

No entanto, é um preço que pode afastar os dois espectros de jogadores, novos e antigos. Eu sugiro que se você tem intenção de conhecer um pedaço da história dos games, ou reviver jogatinas de um sábado à tarde, espere uma boa promoção e um preço mais amigável.

Sonic Origins está disponível para Playstation 4, Playstation 5, Xbox One / Series X/S, Nintendo Switch e PC (via Steam).

Esta cópia de Sonic Origins foi gentilmente cedida para a realização desta análise.
Vinícius Vidal Rosa: Técnico em informática e estudante de jornalismo. Faz do seu tempo livre, uma maneira de levar informação e falar sobre o que gosta: Games e nerdices em geral.
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