Se você pudesse voltar no tempo para fazer tudo diferente, o que você faria?! Essa talvez seja uma pergunta que muita gente já se fez, mas pouca gente consegue responder objetivamente qual o momento da vida teria feito diferente.
Um pedido de namoro que não foi feito? Uma entrevista de emprego que foi negativa? Uma discussão que poderia ter sido evitada? Enfim, são várias as situações que gostaríamos de voltar no tempo e fazer diferente.
Por vezes, a gente nem pensa muito nas consequências desse poder. Quando eu joguei o primeiro Life is Strange, eu percebi duas coisas: a vida precisa ser vivida e que, bem… talvez mexer com o tempo pode ter sérias consequências, principalmente quando isso envolve alguém que amamos muito.
Agora, eu estou tendo a oportunidade de, mesmo avançando no tempo, revisitar a história de Max Caulfield e Chloe Price e como os caminhos delas se cruzam em Life is Strange Reunion, título que promete seguir aquela fórmula de “cada escolha é uma renúncia”. E aí, bora brincar de rebobinar o tempo e saber como essa história se desenrola? Então vem comigo!
Aqui já cabe algumas informações que podem ser bem úteis para você que pretende jogar: o jogo é uma sequência direta dos eventos tanto do primeiro game como de Double Exposure. Então, se você não quiser ficar perdido na narrativa e em quem são alguns personagens – caso você só tenha jogado o primeiro -, é recomendado que você jogue pois tudo se inicia baseado em suas escolhas anteriores.
Claro que se você não jogou, você ainda pode aproveitá-lo, já que antes de iniciar, o game pergunta se você quer fazer algumas decisões fundamentais dos jogos anteriores para adequar a sua narrativa. Feito isso, o jogo finalmente começa.
Aqui, vemos que a vida seguiu para Max. Ela agora é professora de fotografia na Universidade de Caledon e vive uma vida boa. Porém, os traumas dos eventos tanto do jogo original como de Double Exposure ainda a perseguem em seus pensamentos.
Enquanto isso, em outra parte do país, Chloe, a garota do cabelo azul – que agora é verde – gerencia sua banda, a Batom Barato, enquanto tem flashes e memórias de que algo aconteceu anos atrás. Atormentada por essas “memórias”, ela parte em busca de reencontrar sua amiga atrás de respostas.
Durante a viagem de Max, algo acontece na universidade: um incêndio de grandes proporções que culmina não apenas na destruição de parte de Caledon, mas na possível morte de seus amigos. Max então utiliza uma selfie e seus poderes de retroceder no tempo para voltar antes dos eventos do incêndio e tentar descobrir o que aconteceu e quem possivelmente foi o responsável por todo esse caos e por que.
É aqui que os caminhos de Chloe e Max irão se cruzar novamente e cabe a você descobrir como Chloe ainda está viva e como impedir que o incêndio ocorra em Caledon.
Se você já jogou Life is Strange sabe que Max possui esse dom – ou seria uma maldição? – de voltar em momentos-chave no tempo para conseguir informações e utilizar alguns argumentos para extrair novas informações. O jogo tem essa fórmula de diálogos múltiplos que vão resultando em ações e, com a mecânica de rebobinar, você vai avançando a história.
Enquanto isso, Chloe tem a habilidade de ser uma pessoa bem sarcástica, mas que pode também usar argumentos fortes para “ganhar as pessoas na lábia”.
É claro que Life is Strange Reunion conta com momentos de impacto, por mais que o jogo não tenha uma ação frenética ou até mesmo combate. Não é e nem nunca foi a proposta aqui. Aqui é você lidando com pessoas diversas, suas questões e sobretudo, suas particularidades e como se conectar com elas – o que, em boa parte, dá pra dizer que é bem mais frenético do que combater hordas de inimigos.
Isso também se reflete muito nas decisões que influenciam na narrativa. Há algumas escolhas que serão fixas para a história e serão o fio condutor de algumas ações com consequências, iguais às que já vimos em outros títulos da franquia.
Toda a base do que faz Life is Strange ser o que ele é está presente em Reunion. Portanto, você que é fã de longa data da franquia certamente vai gostar muito da experiência e claro, de rever bons e velhos amigos e amigas.
Aliás, sobre isso é interessante de se pensar: o jogo aposta muito em uma nostalgia, em uma conexão do jogador com Max e Chloe. E essa reunião entre as duas personagens que começaram essa franquia é realmente interessante e que vai te pegar em alguns momentos.
Life is Strange Reunion pelo menos para mim foi impactante. Eu não sei se o momento da vida somado com a experiência de jogo me fez refletir mais sobre isso, mas ele é aquele tipo de jogo bonito não apenas visualmente, mas da maneira que ele te conta sobre ter uma nova chance de fazer diferente.
E aí eu volto à pergunta inicial: se você pudesse voltar no tempo, o que você mudaria? Eu tenho algumas respostas para isso. Mas acho que elas não cabem muito numa análise sobre um jogo de videogame…
O fato é que ele não é só bonito visualmente, mas tudo aqui tem um tom emocional muito forte: desde a sua trilha sonora, parte instrumental, parte em músicas originais; a parte visual, por mais que a direção de arte aposte em algo entre o cartunesco e mais realista para os ambientes, te traz para um lugar confortável visualmente falando; e claro, ele é um jogo sobre a beleza da vida. Às vezes ela parece muito injusta e que não te dê as respostas que você quer, apesar de estranha, a vida é bonita. E precisa ser vivida.
Apesar de ter gostado muito da minha experiência com Life is Strange Reunion, não posso deixar de comentar sobre alguns problemas que o jogo apresenta. Eu joguei ele no Playstation 5 base e foram incontáveis as vezes que eu vi delays de renderização de objetos de cenário, de texturas e até mesmo alguns personagens que pareciam que tinham pulado na minha frente.
Isso sem contar que sim, eu tive alguns problemas com bugs. Um deles, em certo momento da minha investigação pela biblioteca, em dado momento do jogo, Max se sentou em uma cadeira para conversar com uma personagem. Ao levantar, as pernas dela entraram para dentro do chão e ela ficou presa entre a cadeira e o chão. A única forma de sair dessa situação foi reiniciar o checkpoint e refazer algumas das investigações e, aí sim, o jogo fluiu.
Moses será seu “guia” nessa jornada de tentar entender o que criou esse “bug temporal – Imagem: Reprodução.
Outro problema foi durante um trecho do game que envolve uma festa, e por alguma razão o jogo me colocou no Polo Norte, pois tudo no cenário tinha um tom de luz estourado em branco… Sendo que era noite e uma grande fogueira iluminava o lugar. Eu até pensei que poderia ser para dar “um clima” no trecho. Mas notei que era algum bug gráfico quando o mesmo ocorria em ambientes internos naquele trecho. Nesse caso, eu tive que fechar e abrir o jogo para corrigir isso.
Sobre performance, o jogo roda em boa parte bem no PS5, mas eu notei que alguns trechos com mais elementos visuais, como fogo e muitos personagens, há uma queda de quadros e alguns efeitos visuais parecem reiniciar o loop de ação, pois é nitidamente visível o “corte” de transição.
Life is Strange Reunion foi um sopro de renovação na minha experiência com jogos. Eu não sabia que estava precisando dessa calmaria – muito embora, tenha seus momentos de tensão – com um videogame. Aliás, talvez calmaria não seja a palavra correta aqui, mas essa forma narrativa que se conecta com outras pessoas e em nos contar uma história sob o seguinte prisma: quando você tem o poder de mudar uma vida – ou uma morte – isso é bom ou ruim?
A vida é estranha, e muitas vezes nos leva para caminhos tortos e coisas que estão além da nossa compreensão. Uma vida com algumas marcas é o sinal de uma vida bem vivida. Por mais estranha que pareça.
Esta cópia de Life is Strange Reunion foi gentilmente enviada pela equipe da Square Enix para a produção desta análise.
Eu nasci em 1991; quando nasci, nossa Constituição tinha três anos. O mundo de Subversive…
Sou um fã de longa data do gênero metroid-vania. Talvez esse seja um dos meus…
O que torna uma franquia tão duradoura e querida pelo público? Quando Resident Evil saiu,…
Quando eu vi o anúncio de Reanimal, alguma coisa me chamou a atenção. Não sei…
Quando eu era adolescente, em algum momento eu fui impactado com a obra de Dante…
Romancing SaGa não é um jogo para todo mundo, mas, para os poucos que ele…
Este site utiliza cookies de terceiros para recompilar informação estatística sobre sua navegação. Se continuar a navegar, consideramos que aceita o uso.