Video Games

R-Type Dimensions III – Análise (Nintendo Switch)

Houve um tempo em que os jogos de navinha reinaram absolutos. Todo console tinha pelo menos uma série ou uma boa parte desta em seu catálogo de games. E hoje em dia eles parecem soar como uma vaga lembrança.

 

Porém, um desses títulos parece ser um dos primeiros nomes quando falamos do gênero shmup (abreviação carinhosa para shoot ‘em up): R-Type marcou época não apenas por ser um jogo do estilo que saltava ao olhos, mas por ter uma dificuldade muito acima da média.

 

Agora em 2026, R-Type está de volta ao universo dos games em uma versão completamente repaginada de R-Type Dimensions III, um dos mais famosos títulos da franquia, lançado originalmente para o Super Nintendo (e pasmem, que vale uma boa grana em bom estado no mercado retrô). 

 

Mas será que hoje em dia esse tipo de game ainda é capaz de encantar o público?! É o que eu gostaria de abordar aqui nesta análise com vocês. Então, calibre bem seus propulsores e aperte bem os cintos pois é hora de navegar pelo espaço detonando alienígenas em R-Type Dimensions III.

 

Atire, se mova e colete tirinhos. O verso é repetido 44 vezes

 

Bom, se você tem mais de 30 anos como eu, certamente eu não preciso te explicar como funciona um jogo de navinha. Mas caso você, jovem aprendiz de jogador que nunca teve contato com um jogo desse tipo, uma breve explicação bem ilustrativa:

 

Sabe aquelas fases do Super Mario em que a tela anda automaticamente, e você tem que ficar ligado no que vem pela frente e toda coisa que aparece é uma surpresa desagradável?! Pois é! Imagine agora um jogo todo assim, em que suas únicas ações são controlar uma nave pelo espaço em todas as direções, coletar itens e atirar. Pronto! Agora você sabe o que é um legítimo jogo de navinha.

 

Feito esse mini-curso do Telecurso 2000, seguimos adiante. R-Type Dimensions III não possui uma nomenclatura se é um remake ou um remaster. O fato é que o jogo possui dois tipos de estilo gráfico: você pode jogar a versão original do Super Nintendo, com gráficos pixelados e efeitos proporcionados pelo Mode 7, ou a nova versão, que mantém o mesmo estilo side scrolling do game, mas com gráficos todos em 3D.

Sim, você luta também contra uma parede viva que joga espermatozóides alienígenas contra você. – Imagem: Reprodução.

Uma coisa bem legal é que o jogo traz algumas qualidades de vida, como vidas infinitas, mas também há a opção para os jogadores mais experientes e que se garantem numa jogatina raiz – o que não é o caso deste que vos fala. 

 

Bom, se o jogo me deu as opções que se adequam ao meu nível técnico de jogabilidade, é óbvio que eu vou usar. Não é trapaça, é apenas se alinhar ao que está dentro da minha habilidade – ou a falta dela – enquanto um jogador de jogos de navinha. 

 

Eu até gostaria de me aprofundar um pouco na história de R-Type, mas o fato é que o jogo não tem uma narrativa muito clara como Earthion, por exemplo, em que você ainda tem um pano de fundo dos eventos do jogo. Mas o resumo é: você é um piloto que deve navegar pelo espaço e acabar com uma ameaça interplanetária que pode colocar a vida na Terra em risco. E é isso, simples assim, tal qual a sua jogabilidade. 

 

Sobre a trilha sonora, ela é bem legal e casa muito bem com o ritmo frenético do jogo e consegue passar um clima de tensão nas batalhas contra os chefes do jogo. No entanto, são apenas músicas rearranjadas da versão original, em que é possível ouvir mais elementos sonoros – que deve se aproximar muito do que os desenvolvedores pensaram na época que as compuseram. 

 

Um jogo para poucos

 

Eu digo com muita tranquilidade que apesar de ter tido bastante contato com jogos de navinha na infância, nunca os tive como um gênero favorito.

 

Aliás, isso é uma coisa interessante de pontuar sobre R-Type Dimensions III: ele não é um jogo longo, mas ele vai demandar muito do seu tempo para que você o domine, principalmente em dificuldades maiores, em que que inimigos são mais agressivos e que você aprenda os macetes das fases. 

 

A nova versão possui duas dificuldades apenas: Normal e Advanced (que seria o equivalente ao hard mode). Nela, inimigos que antes eram apenas obstáculos em tela transformam o jogo num verdadeiro bullet hell, enchendo sua tela de projéteis e cabe a você, treinar e dominar as melhores estratégias para sair vivo e bem equipado até os chefes.

R-Type não é um jogo longo, mas o aprendizado para chegar até o fim é que é o grande desafio. Dominá-lo exige paciência. – Imagem: Reprodução

Sobre isso, eu realmente me pergunto como tem gente que consegue zerar um jogo desse sem nenhum tipo de auxílio. R-Type Dimensions III parece aquele momento em que você, quando criança, vai visitar aquela prima da sua mãe que ela não vê há muito tempo e antes de sair de casa, ela te dá uma orientação: “não toca em nada lá, se não a chinela vai cantar”. 

 

Simplesmente R-Type exige que você tenha uma precisão milimétrica sobre onde se posicionar, entender a movimentação dos chefes e sobretudo, saber que o conceito de pixel perfect e hitbox parece ter sido pensada aqui. 

 

Encostou na parede?! Morreu!

Encostou no inimigo?! Morreu!

Levou um tiro?! Morreu!

Pensou em passar de fase?! Morreu!

 

Tudo aqui é feito para te matar. E eu não poderia encerrar esse trecho sem levantar A GRANDE QUESTÃO: Seria R-Type Dimensions III o DARK SOULS DOS JOGOS DE NAVINHA?! 

 

Performance e desempenho

 

A versão que eu recebi para experimentar o game foi a versão de Nintendo Switch e nada novo sob o sol quanto a um desempenho estável na maior parte do tempo. Os problemas de performance acontecem quando ao pressionar o botão X, o jogo muda do original do Super Nintendo para a versão Remake e vice-versa.

O jogo também pode ser jogado em sua versão original, para os saudosistas de plantão! – Imagem: Reprodução.

Há momentos em que também existem quedas bruscas de quadros quando há muitos elementos em tela, como efeitos de explosão ou elementos gráficos em demasiado – o que também pensei que poderia ser até uma forma de homenagear o esforço hercúleo do Super Nintendo em processar tanta coisa ao mesmo tempo. 

 

Fora isso, o jogo é bastante sólido e roda muito bem mesmo no Switch – infelizmente eu não sei como o jogo está em outras plataformas para complementar o texto. 

 

… E o saldo é?!

 

Sim, diferentemente de outras análises, eu acho que podemos terminar essa análise com uma questão central: porque esse remake existe?! Seria uma forma de preservar um jogo que está completamente inflacionado no mercado de jogos retrôs e que só era acessível por vias que a pirataria oferecia, ou se realmente ele foi pensado em ser uma oportunidade de um público mais velho e que ainda tem apreço por jogos do estilo relembrar bons momentos com R-Type Dimensions III?

 

Bom, eu confesso que eu não sei a resposta para essa pergunta. Mas o que eu realmente sei é que esse é um jogo que traz o puro suco dos anos 90, trazendo a lógica dos fliperamas de altas pontuações e vidas limitadas (no modo original), e que forçaria você a gastar fichas e mais fichas tentando chegar um pouco mais longe.

 

O que eu sei também é que os jogos de navinha não apenas vivem, mas resistem. Seja com projetos que trazem todos os elementos que compõem um legítimo jogo de navinha, como Earthion, seja com uma nova roupagem de um clássico como R-Type Dimensions III. 

 

Esta cópia de R-Type Dimensions III foi gentilmente enviada pela equipe de relações públicas da ININ Games através do PressEngine. 

Vinícius Vidal Rosa

Ex-técnico em informática, jornalista formado e apaixonado por games e tecnologia. Faz do seu tempo livre, uma maneira de levar informação e falar sobre o que gosta.

Disqus Comments Loading...
Compartilhe
Publicado por
Vinícius Vidal Rosa

Posts recentes:

Mouse: P.I. for Hire – Análise (PC)

Eu não sei você, mas eu cresci vendo desenhos da Disney, que já eram quase…

1 semana atrás

NEVE – Análise (PC)

Choice Paralysis Esse é um termo popular em inglês que representa todo o sentimento ao…

3 semanas atrás

Mullet Madjack – Análise (Nintendo Switch)

Imagine um futuro em que as pessoas estão viciadas em dopamina, e acompanham streams de…

3 semanas atrás

A Investigação Póstuma – Análise (PC)

Eu não sei você, caro leitor, mas quando estava na flor da juventude alí pelos…

4 semanas atrás

Life is Strange Reunion – Análise (PS5)

Se você pudesse voltar no tempo para fazer tudo diferente, o que você faria?! Essa…

1 mês atrás

Subversive Memories – Análise (PC)

Eu nasci em 1991; quando nasci, nossa Constituição tinha três anos. O mundo de Subversive…

1 mês atrás

Este site utiliza cookies de terceiros para recompilar informação estatística sobre sua navegação. Se continuar a navegar, consideramos que aceita o uso.