Huntdown: Overtime – Análise (PC)

Gostaria de abrir essa análise dizendo o seguinte: eu nunca fui um grande fã de jogos roguelike e roguelite, apesar deste último oferecer uma experiência mais próxima do que eu estou acostumado. Essa coisa de looping de gameplay e repetir várias e várias vezes, com armas aleatórias e ver até onde eu chego com isso… Nunca me pegou, pra ser honesto.

 

Mas resolvi dar uma chance para Huntdown: Overtime por dois motivos: primeiro, porque eu gostei muito do primeiro jogo, apesar de ele ser um jogo completamente diferente deste; e segundo, por que eu sou um completo vendido quando o assunto é pixel art bonita. 

 

Uma outra coisa que me soa um tanto quanto nova é que este é um jogo que está em acesso antecipado. Por isso, todas as opiniões aqui não necessariamente irão se refletir quando ele estiver completo. Claro que esta versão já dá para ter um gosto muito próximo do que o estúdio Easy Trigger quer com esse novo jogo. E talvez eles tenham sido muito felizes e acertado a mão. Falo mais sobre isso nesse texto.

Então, bora conferir um pouco de Huntdown: Overtime. Separe suas melhores armas, faça os upgrades necessários e venha comigo atirar e correr pela Nova Detroit de 2084.

 

Um mais do mesmo só que diferente


Huntdown segue a mesma lógica de qualquer jogo estilo Run n’ Gun tradicional: como o próprio nome sugere, você corre e atira em tudo o que vier na sua direção. Caso você não tenha jogado o primeiro jogo, você pode ler a análise dele clicando aqui, para facilitar o seu entrosamento com Overtime. 
Huntdown Overtime utiliza boa parte de assets do game original, com alguns leves refinamentos visuais na sua iluminação e no tamanho dos sprites em tela. No entanto, a sua história se passa algum tempo antes dos eventos do game original.

Isso porque jogamos apenas com um dos personagens – já que no original podíamos escolher entre três caçadores de recompensas – chamado John Sawyer. Ele aceita uma caçada e ao final do estágio, é atingido por um tiro de um sniper que quase o mata.

 

Por sorte, Sawyer é resgatado – pois dado o contexto desse universo, provavelmente ele estava com o pagamento do seu plano de saúde em dia – e recebe alguns upgrades em seu corpo, o tornando quase um ciborgue. Porém, o “upgrade” mais visível foi a placa de metal que envolve sua mandíbula, dando um aspecto quase do Puxa-Frangos do desenho Pica-Pau (brincadeira!).

John Sawyer contará com um vasto arsenal para caçar suas recompensas – vivas ou não – Imagem: Reprodução

Após despertar do coma e de suas melhorias corporais, Sawyer vai em busca de novas caçadas e atrás de quem possivelmente está por trás da sua tentativa de assassinato e é aí que o jogo começa. 

 

Para quem já jogou o primeiro jogo – ou qualquer jogo desse gênero – vai perceber que ele segue uma estrutura muito segura de gameplay. No entanto, a adição do sistema roguelite permite que você tente coisas diferentes em cada nova partida.


Cada fase possui um número específico de cenários. Nestes, podemos fazer caçadas à inimigos que podem resultar ou na morte destes, ou em sua prisão. Cada um nos dará um tipo específico de item, dependendo de como você concluiu sua caçada. 

 

Huntdown Overtime trabalha com três tipos de atributos permanentes para que você possa melhorar as condições de Sawyer e ter menos problemas até concluir o jogo (que vale destacar novamente, ainda não está em sua versão final). 

 

Podemos ganhar créditos para serem utilizados na máquina de upgrades no laboratório médico, alguns créditos que poderão nos dar upgrades como maior quantidade de itens de cura, encontrar negociadores em pontos específicos das fases ou coletar mais dinheiro, e claro, o dinheiro comum, que será usado em cada fase para comprar melhorias para nossas armas, trocá-las ou fazer modificações, além de comprar itens de cura em pontos específicos.

O jogo possui ainda poucos cenários variados, uma ótima ambientação – Imagem: Reprodução.

Nós criamos nossa própria rota, então cabe ao jogador verificar o que é mais interessante até o embate final daquela área, numa luta mais difícil que as anteriores. No entanto, como a lógica aqui é que você faça várias runs, aos poucos você vai entendendo a dinâmica de cada chefe e quais armas são melhores para derrotá-los mais facilmente. 

 

No entanto, é bom frisar uma coisa: infelizmente encontrar novas armas durante as fases é algo bem limitado, e nem sempre as armas iniciais que o jogo vai te dar para começar sua caçada são boas. Eu mesmo já me vi em situações que eu preferi jogar apenas com a arma secundária – que pode ser desde uma marreta que causa muito dano, até um soco inglês, que apesar de rápido, precisa ser utilizado muito próximo ao inimigo -, pois o jogo me deu inicialmente uma bazuca como arma principal. 

 

É claro que você enquanto jogador pode montar a estratégia que mais lhe agradar, inclusive seguindo pela rota que quiser. Mas sempre que tiver a oportunidade de passar em uma loja de armas, passe! Pois nem sempre o jogo será generoso com você. 

 

Um jogo futurista que respira o passado

 

Uma coisa que sempre me agradou em Huntdown foi o seu estilo de arte. Seja a pixel art crocante que o jogo oferece, seja nas artes oficiais, uma coisa é certa: é algo que casa muito bem com esse visual cyberpunk do jogo.

 

Em Overtime, o estúdio apostou numa proposta um pouco diferente nas artes que intercalam a narrativa do game, e trouxe um visual que remete muito aos quadrinhos dos anos 1990 – e que por alguma razão me transportaram direto para algumas idas na banca de revistas comprar a edição do mês de Spawn.

O jogo traz muitas referências de coisas populares dos anos 80 e 90, como quadrinhos, músicas e até VHS – Imagem: Reprodução

Além disso, o jogo tem uma estética que lembra bastante algumas coisas vindas diretamente de algum filme obscuro em VHS, com todo aquele tipo de tipografia que ficou muito presente nas capas de filmes de ação da era das locadoras de filmes.

 

A trilha sonora é bem variada e que também mescla muito bem um rock farofa dos anos 80 e 90, com trilhas mais sci-fi, usando sintetizadores e algo teclado da Roland, ou algo do tipo. 

 

O fato é que ele é um jogo que não esconde suas referências de filmes e quadrinhos de outrora. Inclusive, eu ouso dizer que os desenvolvedores possivelmente pensaram numa versão de John Sawyer que certamente seria vivido por Sylvester Stallone nas telonas. Pois todas as vezes que ele tem a oportunidade de soltar uma piadoca após distribuir balas, ele pode. 

 

Alguns percalços nesse caminho, mas que ainda podem ser corrigidos

 

Acho que o primeiro grande “problema” de Huntdown Overtime é a falta de uma localização para o português. Apesar do jogo não ter um texto muito difícil, ele parece pertencer a escola Toby Fox de “manter a originalidade”, pois nem mesmo o título anterior foi oficialmente localizado para o nosso idioma. E sim, isso é um fator importante, ainda mais porque vemos projetos de mesmo porte ou até menores, preocupados em atingir o público brasileiro.

 

No entanto, assim como ocorreu com outros títulos em acesso antecipado, nada impede que a Easy Trigger e a Coffee Stain Publishing dediquem futuramente um tempo a trazer uma localização oficial para o jogo. 

Sawyer contará com upgrades permanentes para melhorar seu desempenho na aventura – Imagem: Reprodução

Outro fator que eu achei meio problemático é justamente sobre as armas do jogo. Você nunca sabe o que irá receber no início de cada run e coletar novas armas que façam sentido para que você vá mais longe não é garantido nem pela loja de armas que você irá encontrar no trajeto até o chefe da área. Claro que eu sei que isso é uma proposta desse estilo de jogo, mas seria interessante ter mais pontos onde eu possa fazer essa troca.

 

O game roda muito bem em configurações mais antigas. Como eu já falei em outras análises, o meu computador é bem modesto, sendo um Core I5 9400F, 32GB de RAM DDR4 e uma placa de vídeo RTX 2070 de 8GB, e tudo funcionou perfeitamente sem qualquer tipo de engasgo ou qualquer problema que jogos mais recentes apresentam em configurações mais básicas. Portanto, se você tem uma configuração mais básica, pode testar Huntdown Overtime sem medo.

 

… E o saldo é?!

 

Huntdown Overtime é uma adaptação bem criativa de um jogo que já tinha se estabelecido em um gênero e agora procura novos ares para se reinventar. Eu gostei muito do tempo que passei com ele e espero muito para ver o que a equipe de desenvolvimento do jogo vai incluir até o seu lançamento oficial. 

 

Para quem não gostava de jogos no estilo rogue-alguma coisa, esse game me surpreendeu positivamente e eu investi mais tempo do que eu esperava, me divertindo com sua trilha sonora, sua ambientação e também as piadas infames de John Sawyer enquanto pipocava inimigos pelo caminho. 

 

Sem dúvida alguma, Huntdown Overtime é um jogo que quero revisitar quando tudo estiver pronto, pois ele tem muito a oferecer e é um ótimo jogo para quem procura uma aventura em que repetir não é tão cansativo, mas um novo desafio a cada nova caçada. 

Esta cópia de Huntdown Overtime foi gentilmente enviada pela equipe de relações públicas do estúdio para a produção desta análise.