Gagá-Game #6 – Castlevania: Rondo of Blood

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A exclusividade de games em solo nipônico foi um grande fato de décadas passadas. Muitos games de grandes softhouses foram deixados em exclusividade para nossos amigos de cara amarela e olhos puxados. Tais como Earthbound, Bahamut Lagoon e claro, Castlevania. Em 1993, a Konami faz alguns fãs da franquia se descabelar e outros rirem á toa, lançando Rondo of Blood, um dos melhores títulos da saga da família Belmont, sendo lançado para PC Engine/ Turbografx 16.

E aquela velha história retorna…

Castlevania é como a maioria das grandes franquias de outras casas: coloque uma história e a mantenha, somente alterando o necessário. Rondo of Blood veio com a intenção de mudar este pensamento. No papel de protagonista, mais uma vez é colocado Richter Belmont. A história do game se passa em 1792. Mais uma vez conde Drácula dribla Chuck Norris e sai do inferno pela 21.351.313.234.154.654 vez, com a velha intenção de acabar com a raça humana (ele deve ser brasileiro, e não romeno, pois não desiste nunca!). Aproveitando a ausência do nosso herói de roupa azul, Drácula decide enviar sua horda de seres maléficos para destruir a cidade e ter como refém sua amada esposa Anette e sua pequena cunhada Maria. Sabendo da folia que os monstros estão fazendo na cidade, Richter vai às pressas para detê-los. O herói chega um pouco antes de toda a vila ser destruída, mas não encontra sua amada esposa e sua cunhada. Então, num ato de heroísmo (como sempre!), ele amarra sua bandana branca, calça suas botinas, pega seu chicote (oh! Sem malícia ok?) e parte numa jornada para deter Drácula e sua trupe do mal.

O game apresente gráficos de cair o queixo, mostrando cenários, chefes, personagens e inimigos muito bem trabalhados. Prova de que o 2-D não perdeu a força. A trilha sonora está mais uma vez impecável, mantendo a excelência da série. Como o jogo foi lançado em CD, (uma novidade na época) isso fez com que a trilha ficasse ainda mais bela aos ouvidos do jogador. Rondo of Blood merece ser jogado com o volume no talo!

A Novidade: Maria Renard.

Como foi dito antes, Rondo of Blood veio para mudar certos pensamentos conservadores da série. Um fato inédito, que surpreendeu muitos fãs da série, é que a partir do momento que Richter salva Maria, ela se torna um personagem jogável, se mostrando uma exímia caçadora além de, em certos momentos, ser um personagem muito melhor do que Richter. Maria tem certos poderes especiais, que vão desde materializar um simpático pássaro branco que destrói os inimigos, até um poderoso dragão que ataca sem dó nem piedade. Esta foi a segunda vez que a série recebeu algum personagem jogável além do protagonista (já que a primeira foi vista em Castlevania III, para NES 8-bits), e que, sem qualquer sombra de dúvida, foi muito bem aceito pelos fãs (nipônicos).

O melhor de todos os tempos?

Muitos fãs e até mesmo admiradores da série colocam Symphony of the Night (1997, PSOne, Sega Saturn) como o melhor título da saga já feito. Mas como cada um tem a sua opinião, aqui deixo a minha: Em partes concordo com a maior massa de fãs. SotN realmente trouxe a veia RPG/Ação para a saga, que se mantém neste estilo até os dias de hoje.

Mas, não vamos esquecer de como foi o passado da série, onde a tática principal era “ande e bata com o chicote”, que ficou presa no meio dos anos 90, no auge do Snes/ Mega Drive. Rondo of Blood talvez fosse o último game da série a manter esta filosofia. Não discordo que ambos são excelentes títulos, com seus prós e contras, mas a sensação nostálgica de Rondo of Blood me leva até os bons tempos de jogos divertidos e que nem se quer, precisavam de excesso de sangue, ou de explosões para serem incluídos na lista de “games mais difíceis e mais divertidos dos últimos tempos”.

Difícil não… QUASE IMPOSSÍVEL!

Como manda a tradição, Castlevania que se preze tem de ser um game desafiador, em que o jogador perca noites e noites para passar de tal fase, ou até mesmo derrotar aquele chefão filho da &*¨%$. Rondo of Blood não manteve só isso, mas triplicou a dificuldade, fazendo (talvez) o título mais difícil de terminar. Pense bem: Shaft, o braço direito de Drácula evoca os quatro primeiros chefes que atordoaram em Castlevania 1 (Giant Bat, Medusa, Akmodan e Frankstein) antes de dar-a-cara-a-tapa.
Graças ao bom humor do pessoal da Konami, o ano passado foi glorificado com uma versão para PSP deste clássico, batizado de Castlevania: The Drácula X Chronicles, que para alguns foi recém apresentado no ocidente, trazendo a mesma dificuldade da versão antiga, mas com gráficos trabalhados em 3-D.

Como é de costume, Rondo of Blood traz a tão temida “Clock Tower”, que muitos fãs dizem ser a parte do castelo mais desgraçada que existe. De fato, o título trouxe-a de volta, e ainda mais perturbadora.

Entre outras palavras…

Seja na versão de PC Engine ou de PSP, Rondo of Blood (ou The Drácula X Chronicles) obrigatoriamente deve ser jogado. Mesmo que você não seja fã de carteirinha da série, creio que um pequeno “déjà-vú” irá passar pela sua cabeça. Então, não perca tempo, relembre os bons tempos de uma ótima série. Tire o pó de seu velho console, “abunde-se” na poltrona e viva os bons momentos da sua infância mais uma vez.

Texto: Vinícius “Femto”.