Sinner: Sacrifice for Redemption – Review

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Dark Souls deixou de ser apenas uma franquia que mescla RPG e ação em uma dose milimetricamente certa, prezando pela dificuldade para se tornar um gênero único, em que muitos tentam replicar sua fórmula de sucesso.
Majoritariamente, projetos indies bebem dessa fonte criada pela From Software, criando experiências bastante interessantes.

Sinner: Sacrifice for Redemption é talvez o jogo mais próximo do que a franquia Souls apresentou até então. Desenvolvido pela DARK STAR e distribuído pela Another Indie, o game é uma produção chinesa que mescla dois grandes gêneros: a dificuldade e o tom sombrio da saga Souls com o visual minimalista e até cartunesco de Zelda.

Em Sinner, controlamos Adam, um guerreiro que ressuscitou dos mortos com a missão de expurgar o pecado que se instalou no mundo.  Isso é basicamente o que permeia o pano de fundo do jogo, pois, ao contrario da série Souls, Sinner não possui um vasto mundo a ser desvendado, com NPCs e suas histórias. Ele se baseia apenas em ser um boss rush, onde cada chefe representa fisicamente um dos sete pecados capitais descritos na Divina Comédia de Dante Alighieri.

Vale ressaltar que o ponto mais interessante do jogo é o que dá o seu subtítulo, “Sacrifice for Redemption”. Diferente de outros jogos que usam a fórmula Souls, em Sinner, nosso objetivo não é fazer Adam ser o cavaleiro mais forte, ou evoluir o personagem de maneira que até o final do jogo, tudo seja mais fácil e simples. Aqui, você deve abrir mão de seus atributos à cada novo desafio que você escolhe enfrentar.

Todos os chefes possuem condições específicas para serem enfrentados, como por exemplo, perder uma porcentagem dos seus pontos de vida e sua stamina, ou abrir mão de uma determinada quantidade de cura e até mesmo abrir mão de sua armadura.
Embora não haja uma ordem de chefes específica, aos poucos você pode notar que alguns atributos podem sofrer menos interferência do jogo, dependendo da ordem que você escolhe. E isso pode ser crucial para seguir adiante no jogo, já que toda vez que você recupera aquele sacrifício feito para matar um chefe, você deverá enfrentá-lo novamente.

Quanto aos gráficos, o jogo possui um visual que varia muito de cada cenário. Alguns percebe-se um capricho enorme por parte dos desenvolvedores. Já outros, dão uma sensação estranha de estar jogando uma versão remasterizada de algum jogo do Playstation 2, onde é possível notar a falta de polimento em alguns elementos do cenário e dos próprios chefes.

Os chefes em sua grande parte, contam com um visual interessante, embora nem todos tenham tido o mesmo tratamento, como dito dos cenários. Em alguns, é perceptível o esmero da equipe de produção, com detalhes que deixam o visual da criatura ameaçadora e imponente. Já outros, parecem ter saído de algum jogo genérico e reaproveitado aqui. Chefes que se baseiam em um combate corpo-a-corpo, parecem ter tido um tratamento muito diferente daqueles que se focam em ataques mágicos, já que o visual das magias não é nada impressionante ou bonito de se ver.

Seguindo a mesma métrica adotada por todos os jogos do gênero, Sinner traz um desafio bastante honesto. Pois, diferentemente de outros jogos que prezam pela evolução do seu personagem, aqui, o desafio está em administrar um combate com menos recursos à cada um deles.
A dificuldade do jogo é bem alta, mas não é nada que não possa ser vencido após estudas os movimentos de cada um dos chefes – como qualquer Souls Like faz.

Sobre a jogabilidade, é ai que acho que dentre todos os pequenos pecados que o game comete, se sobressai como sendo o mais relevante.
Diferente de Dark Souls, que possui uma jogabilidade fluída e comandos que respondem bem, em Sinner parece que seu personagem está sempre cansado. É perceptível o peso do personagem e o peso de suas ações, visto que o simples pressionar do botão para erguer o seu escudo é uma tarefa enfadonha e que mais frustra, do que lhe protege de algum golpe inimigo.
Os controles em sua forma padrão também são bastante estranhos para quem vem de uma série de jogos. Por sorte, é possível ajustá-los para chegar o mais próximo do mapeamento usado nos games da From Software, mas mesmo assim, não conseguem corrigir a velocidade que é levantar um escudo pequeno de madeira com revestimento metálico.
Porém, jogadores que não dependem tanto de escudo poderão se sentir aliviados, já que para compensar, o sistema de desvio do personagem é rápido e preciso.

A trilha sonora é um dos pontos mais altos do game, seguindo a mesma linha de Zelda e Dark Souls, com temas orquestrados e que ressaltam a tensão de enfrentar um determinado chefe, gerando todo o clima durante a batalha.

Em todo o meu percurso durante o game, uma coisa que me incomodou bastante foi uma certa “falta de identidade” do jogo. Mesmo ele seguindo uma “receita de bolo” estabelecida pela From Software, e absorvendo diversos elementos de duas grandes franquias do universo dos videogames, uma das coisas que sempre achei interessante nesses dois jogos-base de Sinner foram as suas atividades paralelas e o seu mundo a ser explorado.
Infelizmente, ao menos pra mim, o jogo peca gravemente em ser uma proposta simplista para um universo que poderia ser muito mais rico e carismático.
Isso fica bastante claro quando adotamos personagens secundários em nossa aventura em Dark Souls, como é o caso de Solaire of Astora, ou até mesmo nos importamos com a tragédia de Artorias, o Andarilho do Abismo. Em Zelda, quem não se lembra do encontro sinistro com o Vendedor de Máscaras em Majora’s Mask, ou quando recebemos nossos equipamentos iniciais em A Link to the Past ? São momentos assim que criam uma identidade com o jogador, deixando o protagonista de lado e abraçando situações que ficam eternizadas em nossas memórias.

Em Sinner, tudo parece muito genérico e pouco desenvolvido, com pouquíssimos momentos em que farão o jogador se recordar de momentos marcantes como nos exemplos anteriores.
Sinner: Sacrifice for Redemption é um jogo obrigatório para qualquer fã de Souls Like que sente aquele vazio deixado pela From Software. O jogo possui seus méritos, com propostas interessantes e que trarão um fator desafio à altura para os jogadores mais experientes. Mas também conta com alguns defeitos que podem frustrar os jogadores.
Se você é fã da série Souls e está em busca de um desafio, esse jogo é feito para você.

Esta cópia de “Sinner: Sacrifice for Redemption” foi gentilmente cedida pela “Another Indie” para o site “Salvando Nerd”. Todo o jogo foi testado em sua versão de PS4.